O estilo pitoresco da construção, com sua pequena torre envidraçada, determinou por uso popular a denominação de Castelinho e Castelinho do Caracol porque fica nas proximidades da Cascata do Caracol em Canela.
Castelinho, uma casa construída com a técnica enxaimel toda de madeira, somente com encaixes e sem nenhum prego. Você não acredita? Então está convidado a conhecer.
Em primeiro lugar precisamos ter em mente que Canela vivia o auge do desenvolvimento e expansão com o ciclo da madeira por volta de 1912; toda a economia girava em torno da madeira, e é neste momento que nosso personagem principal da historia, Pedro Franzen, vai aparecer: ele fora convidado pelo seu amigo João Corrêa a comprar terras em Canela, pois a madeira era abundante e o trem, cuja linha ligando Porto Alegre a Canela já estava em construção, seria o meio de transporte de carga e pessoas mais eficaz da época.
As netas de Pedro Franzen, Aquiléia e Marilena, nos relatam:
[....] em 1910, chegou no Caracol nosso avô e comprou, das famílias Jung e Petersen, 1.365,22 hectares de terras e pinheirais [...] Ali instalou uma serraria e construiu casas para abrigar a família e agregados, que vieram numa grande caravana: os homens a cavalo e as mulheres e crianças em carretas puxadas por bois, para iniciar uma nova vida.
A presença das araucárias era abundante, ou seja cria-se um ambiente ou um pequeno povoado em torno da exploração da madeira, o que gera desenvolvimento de uma determinada área, neste caso o Caracol, tornando concreta a expansão do comércio em torno da madeira.
Pedro Franzen sonhava em construir uma casa bonita, foi então que um belo dia leu em um jornal alemão editado em Porto Alegre sobre um anúncio de um construtor chamado de Frantz Schuter, o qual foi consultado por carta para construir a casa tão sonhada de Pedro Franzen. E é no ano de 1914 que se dá o início da construção, com estrutura, paredes, forros e assoalhos de pinheiro brasileiro (Araucária), e aberturas de cedro e ipê. A madeira usada na construção ficara durante meio ano mergulhada nas águas do arroio Caracol, tratamento biológico, para após serem secadas e serradas, a fim de se tornarem mais duradouras como conta sua neta Aquiléia.
Com a casa pronta a família mudou-se continuando uma tradição: todos as schmiers, apfelstrudel o requeijão, as geléias eram preparadas cuidadosamente pela esposa de Pedro Franzen, a D. Luiza, no fogão esmaltado que era a peça mais charmosa da cozinha, o qual aquecia também a água para o uso da casa, e esquentava os ferros para passar a roupa; tudo girava em torno do fogão, era a alegria da criançada. Os waffels também eram preparados com carinho pela avó para os netos.
A sala de jantar com o centro giratório exigia a confecção especial da toalha de mesa bordada nos mínimos detalhes: era o orgulho da dona de casa, onde todos tinham que sentar na hora certa e as crianças não podiam conversar para não atrapalhar a conversa dos mais velhos. A sala de costura então nem se fala, era um verdadeiro atelier de moda onde a roupa de cama e até as fantasias dos bailes de carnaval eram confeccionados na máquina de costura Mundlus.
Se vocês estão pensando que tudo isto não existe mais e é mera lembrança das netas e netos e bisnetos de Pedro e Luiza Franzen, estão muito enganados: a família preserva até hoje tudo, e detalhe, o fogão esmaltado ainda funciona e é nele que é preparado com muito carinho para os visitantes o Apfelstrudel que em alemão quer dizer torta de maçã
Com sabor inigualável e um cheiro capaz não só de aguçar sua gula, como de alimentar a alma, é considerado um manjar dos deuses da tradição alemã.
Atualmente o Castelinho se tornou um museu aberto à visitação pública, e tem um restaurante onde é servido o apfellstrudel de maçã.
Aqui vai uma dica importantíssima: se você for até o Parque do Caracol caminhar nas trilhas, e mais, descer os 900 degraus até a queda d água da cascata, na volta pare no Castelinho para repor suas energias e delicie-se com o Apfellstrudel. Agora, se você já conhece a cascata e ainda não conhece o Castelinho, me desculpe, mas você não sabe o que está perdendo. Então anote na agenda, faça seu roteiro turístico, e vá até o Castelinho. Você vai se encantar, vai se sentir como se estivesse no final do século XIX e ainda rodeado de muita natureza paz e tranqüilidade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
CARVALHO, Aquiléia Corrêa Homem de Carvalho; CAVALCANTI, Marilena Corrêa. Grande Hotel Canela In: OLIVEIRA, Pedro; BARROSO, Vera Lucia Maciel (Org.). Raízes de Canela. Porto Alegre: EST, 2003.
Marilu Ana Bielski Kern
Licenciada em História e Pós-graduada em História do Rio Grande do Sul,
pela
Universidade Do Vale do Rio dos Sinos
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